Era tão claro o dia, mas a treva...
Ares tão profundos da terra da aurora,
no ouro banhada.
Fortalezas e cidades flutuavam.
Sobre as montanhas solitárias,
deuses adormecidos.
A treva emergia de mim
levando-me à morada do Dragão.
“Aqueles inimigos de Jerusalém
apodrecerão ainda de pé”.
Rastejo até o cântaro,
a sede parece não cessar.
O pão, tão real, é uma miragem.
Deixo o rastro de um sangue escuro,
Tortura, suplício do sangue.
Nada em que segurar, nem que conter,
a miséria do espírito.
Loucura, visio dei...
Templo invisível da ilusão.
Da lama de minhas feridas,
da podridão da carne carcomida,
de tumores que devoram minhas vísceras.
Da treva ecoam risos da plateia
a que brindo com minhas pústulas.
Meu rosto desfigura em convulsão.
Meus pés borbulham plenos de vermes.
As pontes foram demolidas
desde a grande guerra espiritual.
Quando lá dormimos, aqui acordamos.
Aqui a queda é perpétua.
Grito há três longas noites sem emitir uma palavra
Não tenho língua... boca...
Minhas mãos secaram como galhos no inverno.
Por um milagre secreto, vivo.